Opções de vida (nem o título se enquadra)

13
Apr
2010

(deixem-me só desenterrar o morto que jaze por cima deste blog)

Bem, os balõesinhos que eram suposto levarem-me a algum lado estão presos em qualquer coisa que não é a minha terra, nem me deixa voltar para casa. Pior é que também não sobem nem descem, estão aqui, sempre no mesmo sítio, sempre no mesmo tédio. Alguns rebentaram, outros estão tão pequeninos que caíram e só não se perderam com a chuva e com o vento porque estão agarrados à corda que está agarrada ao banco onde me sento.

Este banco já nem baloiça. Está hirto de frio e da falta de sol. Aqui o inverno nunca mais acaba. Há sempre nuvens escuras, que o vento, apesar de forte, não faz andar. Aqui ensinaram que “Every clound has a silver linning”, que é como quem diz, que toda a nuvem tem um delinear prateado, porque o sol está por detrás… Mas cadê o sol? Ele há-de vir, dizem-me, é só acabar isso…

Passando a frente o aparte poético, há umas quantas coisas que me assustam. Deixem-me, antes de mais, esclarecer uma coisa que tenho dito às pessoas como errada: o meu mestrado não é mau, fazê-lo nas minhas condições é que é. Não falo nas condições de habitações, essas são condições excepcionais, é como voltar para casa dos pais, sem aquela coisa chatíssima de eles darem a sua opinião de 5 em 5 minutos e acerca de tudo a mais alguma coisa. Agora, vejamos o lado mau, para futura referencia.

Quando escolherem um curso, mestrado, ou até, quem saiba, isto também se aplica a um emprego certifiquem-se de uma das duas coisas: ou o curso/mestrado tem muita gente, ou tens outras formas de socializar fora dele. Como eu não tenho outras formas de socializar a não ser através dos meus colegas, uma vez que a casa onde moro é longe da cidade, ter dois colegas mudos e uma intermitente (só aparece às terças à tarde) não me deixa grandes opções. Pergunto-me qual será a fase a seguir à lamechas, mimalha e com muito amor para dar, pela qual ando a passar agora, mas desconfio que será algo muito deprimente, portanto quero mantê-la longe de mim.

Outra coisa importante a saber acerca do curso/mestrado é: o que vão pedir-vos para fazer… Ouvi um quantidade abominável de vezes em NTC dizerem que estavam no curso errado. O pior é que só se apercebem no segundo ano de curso, quando se deixa de fazer coisas fixes. Meus filhos, informem-se, perguntem, não se acanhem… Porque escolher mal é lixado. Nos mestrados em Portugal têm o infeliz hábito de terem teses/projectos pré-definidos (perdoem-me se não for assim em todo o lado), mas noutros países (sim, como Inglaterra) é a escolha do freguês, que é como quem diz aluno. Ora aqui podem acontecer duas coisas: uma é não saberes o que fazer, outra é teres escolhido um MsC, ou seja, mestrado cientifico em vez de um MbA, ou seja, um mestrado teórico (esta denominação acabou de ser inventada) e a terceira opção, que me esqueci no início mas lembrei-me agora, é saberem o que querem fazer, mas tal não se enquadrar no vosso mestrado tanto porque não corresponde há área, como não corresponde à “natureza” do mestrado (cientifico ou teórico). Para esclarecer quem não sabe, eu estou com o terceiro problema: sei o que quero fazer mas não se enquadra no meu mestrado muito bem…

Finalmente, quando escolherem as cadeiras opcionais, tentam saber alguma coisa sobre os professores que as dão, pois se eu soubesse o que sei hoje não estaria a arrancar cabelos todas as vezes que me falam em AS3, OOP e formulas matemáticas (e nem quero explicar o que isso é, não vá parar-me a digestão!).

Tenham também a certeza que querem tirar o curso/mestrado. Eu sinceramente queria era estar a tirar um curso de costura e a acartar tijolos num pais qualquer de terceiro mundo onde fosse preciso pôr umas casas de pé. E digo isto com toda a sinceridade e sem estar sobre o efeito de estupefacientes. É que eu tenho um desejo (entre outros menos importantes) de fazer voluntariado para os lados do hemisfério sul. Coisas que não exijam puxar pela cabeça, que anda esgotada, quero é puxar pelo corpo… Como o campo não dá para mim, e eu sempre gostei de montar moveis, legos e aparelhómetros, a ideia de empilhar tijolos agrada-me bastante. O curso de costura é daquelas coisas que “eu sempre quis fazer”…

Fazendo contas a minha vida, estou despacha da vida académico com 22 anos… E a partir daí torno-me escrava do trabalho e do dinheiro, deixo de ter férias de três em três meses e acabam-se as saídas à semana. É um cenário extremamente deprimente para alguém tão novo. Sinto que a minha vida vai acabar no próximo Setembro, pelo menos como eu a conheço…

(vou deixar o caixão aberto, a ver se isto areja e se me lembro de cá passar mais vezes… despejar lamentos deixa-me mais leve)

Inté,

Inês

5 respostas to “Opções de vida (nem o título se enquadra)”

  1. inesamorim says:

    Devo ter algum problema com o dia 13, já que o último post foi precisamente há 3 meses atrás, dia 13 de janeiro…

  2. Diogo says:

    Dizer apenas que acabei de espetar uma nova gargalhada, e que ouvi a gaja do lado a dizer “WTF?”, assim que li a parte do caixão arejar. E dizer ainda mais uma coisa… Tens ali um balãozinho diferente dos outros, que aposto que vai acabar depressa com essa pseudo-depressão, se é que se pode chamar assim!

  3. Sabina says:

    Compreendo-te perfeitamente Inês.

  4. sara.c says:

    Inês, tive que me rir quando li esta parte:

    “E a partir daí torno-me escrava do trabalho e do dinheiro, deixo de ter férias de três em três meses e acabam-se as saídas à semana.”

    Bem, escrava do trabalho, depois de acabar NTC (e dos meses intensivos de projecto em que era acordar, senta em frente do portátil, come em frente ao portátil, marra com a cabeça no portátil, come em frente ao portátil, dorme, loop) as 8 (cof, 9, cof) horas de trabalho, em que estás livre a partir das 6 são, estranhamente, libertadoras. Claro que há horas extraordinárias e coisas de última hora mas pelo menos sabes que a partir dessa hora já ganhaste o teu e podes tirar um tempinho para ti. Alguns de nós insistem em fazer umas coisas por fora e em trabalhar à noite mas como disseste, opções de vida. Alguns de nós também podem ter a sorte de conseguir um emprego em que consigam ganhar o suficiente, mesmo que não dê para grandes luxos; suponho que como tudo na vida, não se possa começar por cima, há que chegar lá.

    Quanto às férias de 3 em 3 meses, ironicamente, tenho-as tido a esse ritmo =D. E saídas à semana também as tenho – obviamente é que não são até às 5 da manhã. Como sabes pelo menos cá há o hábito de se sair mal se acaba o trabalho, coisa que faz todo o sentido depois de se apanhar a pedalada.

    Não acho que a vida depois da universidade seja assim tão deprimente, acho que depende muito do espírito com que estás quando acabas a universidade. No meu caso já estava tão farta daquilo tudo. Também depende se estás mentalizada para o que vem a seguir ou não, eu sabia que depois dos 3/4 ia começar a trabalhar e para mim sempre foi óbvio que assim seria. E também acho que depende do que vais fazer quando estás a trabalhar, do pessoal com que estás a trabalhar, do que podes aprender (ou não…) quando estás a trabalhar.

    Algumas coisas mudam, outras não. Por exemplo, há pessoas que tanto na universidade como na vida trabalhadora insistem em ter divagações filosóficas à 1 da manhã e passar os dias no trabalho a bocejar. =D

    Vai correr bem Inês, custa mas a vida é assim. Se fosse fácil também não tinha piada, não é?

  5. Luis Lima says:

    inês, não acho que estejas certa. 22 anos, uma licenciatura e um mestrado. tornas-te escrava do trabalho mas ao mesmo tempo podes continuar a estudar num número de horas mais reduzido e ir fazendo cenas! e essa definição de ”escravo do trabalho” também não é bem assim, porque isso é terrifico quando vem junto com casamento. e quando achares que estás mal pensa em mim porque aí vais ver que te vais sentir mm bem! 21 anos: primeiro ano da fac! futuro: não dá para planear! aproveita bem a tua condição!!! 🙂 bj*

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