Um dia de doidos

16
May
2009

Eu nem sei bem por onde começar ou quem insultar primeiro… Mas hoje eu estava amaldiçoada!

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Esta semana tem sido complicada. Complicada é muito vá, mas tem sido preenchida. Tive entrega do jogo na 5ª, do qual já estava farta, já não posso ver aquilo a frente, só de pensar fico com náuseas. Na 3ª começamos a montar a exposição de fotografia na galeria do Eldon Building. O meu espacinho está a ficar catita e muito cor de rosa, mas foi sem querer…

Até nas aulas se vê bem que esta foi a ultima semana, ou na falta delas. A partir de 2ª deixei de ter aulas de fotografia porque so íamos para galeria, quando nos apetecesse, ontem e hoje só tive aulas de inglês, porque o meu professor de C++ não gosta muito de dar aulas a mudos e porque com a entrega do jogo não fazia sentido eu ir mais às aulas de scripting, que iam ser dedicadas a animação.

Tudo isto parece muito folgado e com montes de tempo para o que nos apetecer… Não é bem assim. Aqui a cena de estar às 10 em algum lado já não é nada cedo. Alem disso eu para estar às 10 em Portsmouth tenho de me levantar às 8, o que é muito cedo, então levanto-me só as 9 e chego a Portsmouth às 11.

Foram este tipo de contas que eu fui fazendo durante a semana. Na segunda, como não tinha aulas, só fui para Portsmouth às 5.20, para o exame de italiano das 6 e aproveitei o dia para mexer no jogo. Na 3ª às 10 da manhã estava no Eldon Building para escolher o meu lugar da exposição. Alguns meninos foram mesmo gulosos e ficaram com espaços bem maiores que o meu, mas como eu tenho a exposição mais original de todas nem tem importância. Fui almoçar com a Ariane e com a Doris, fui despachada da aula de Scripting porque acham que sou um génio e que vou ter alto jogo com uma programação mega avançada (para alunos do primeiro ano cof cof) e voltei para casa para amaldiçoar o jogo, comprar uma conta nova no Flickr e engonhar bastante. Faz favor de carregarem lá no link e ir comentar as minhas fotografias bonitinhas. Na 4ª fui só as 2 para Portsmouth, comprei um tecido para tapar a caixa onde vão estar todas as minhas fotografias, colei-as em k-line, cortei e vim embora. À noite estive a dar os últimos retoques no jogo e no relatório, que felizmente era de 4 páginas. 5ª contas novamente mal feitas. De manha fiquei em casa, não me lembro a fazer bem o quê, conclusão cheguei a Portsmouth às 2. Vou entregar o jogo, a entrega é feita em mão a alguém do Office do departmento e ficamos com um comprovativo. Pode parecer muito bom, mas demora como tudo, estive uns 10 minutos na fila. A seguir corri para a Commercial Road para comprar parafusos torcidos para pendurar as fotografias, mandar imprimir a capa do meu Feedback Book e correr para aula de inglês. A aula de inglês acaba às 5, que é quando fecha tudo praticamente. Corri a buscar a fotografia que mandei imprimir e vim para casa. Made in Deca, ou seja, sem fazer nada até às tantas, e mais umas horas a amaldiçoar quem inventou os relógios porque eu queria ir dormir e tinha coisas para fazer e imprimir.

Pronto, despachei-me, arrumei tudo, incluindo o quarto da Kath, que estava todo bodegado por eu ter andado a fazer colagens e a cortar cartolina e com montes de folhas espalhadas pelo chão. Arrumei também as coisas para levar para Portsmouth no dia seguinte: o Sketchbook impresso – mais tarde ponho aqui a versão para Web para sacarem – numa caixinha para não se amassar, as letras que ainda precisava de cortar, a cartolina, cola e o estojo, a bibliografia na pen para ir imprimir ao Park Building porque afinal a impressora deles a cores é de boa qualidade e eu ainda tenho umas quantas impressões grátis, as fotografias para o Feedback Book… Acho que não me faltava nada. Cama.

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Sexta-feira, a derradeira. Ora com tudo arrumado e cronometrado, pareceu-me plausível acordar só às 9, chegar a Portsmouth às 11, ir à biblioteca da Universidade pedir para me encadernarem o Sketchbook e o Feedback Book, dar um saltinho na galeria e ir para a aula do meio-dia à uma.  A partir da uma dedicar-me-ia somente à exposição e provavelmente teria tudo pronto hoje. Bela utopia.
Bem,  acordei com dificuldade, banho, pequeno-almoço e essas tretas, pegar nas coisas que vou levar para Portsmouth e ver se não falta nada. Não faltava, só estava indecisa entre levar a mochila ou a saca de papel, e se levava o computador ou não. Saca de papel, porque já lá tinha as coisas dentro e o computador não ia ser preciso, portanto é menos esse peso, ficou em casa.

Sai de casa e estava a chover, mas aquela chuvinha molha tolos, nada de especial. Comboio, seca, tem de ser. Chegada a Portsmouth, passo muito acelerado para a biblioteca para não perder mais de 10 minutos a lá chegar. A chuvinha de repente ficou um pé de água. Há uma zona mais ou menos a meio do caminho entre a estação e a biblioteca em que o vento é tão forte que cheguei mesmo a fechar o guarda chuva, porque tive medo que ele partisse, mas voltei a abri-lo passados 30 segundos, que eu não ganho para pára-brisas oculares. Entretanto fiquei encharcada, assim como o querido saco de papel com folhinhas e fotografias e convites e o estojo e a cola e letrinhas cortadas e tal… Estava a dois minutos da biblioteca, só mais um bocadinho e já dava para mudar as coisas para a minha carteira e pumba! Saco rebenta, cai tudo ao chão, é o caos! A caixa do Sketchbook abre, as folhas saltam cá para fora, a embalagem das fotografias rasga e elas também se atiram para o chão, o estojo, a cola, os convites, tudo encharcadinho e eu feita parva a segurar um guarda-chuva cor de laranja com números, a olhar para os pés e a perguntar-me a mim mesma porque raio é que não tinha levado a mochila em vez da porra da saca!

Passa o choque, começo a apanhar as coisas freneticamente e a mete-las para dentro da carteira – benditas as carteiras grandes – e um rapaz muito simpático veio ajudar-me, senão o dilúvio tinha sido bem maior. Cartolina, guarda-chuva, caixa do Sketchbook, carteira, tudo nas mão meio empilhado, para chegar o mais depressa possível à biblioteca e verificar estragos. Ora os estragos avaliam-se por uma saca inutilizada, assim como todos os convites para a exposição, uma data de paginas do Sketchbook molhadas e algumas em estado tão débil que rasgavam só de tocar e finalmente umas fotografias coladas e outras manchadas pela água. A cartolina salvou-se.

Fui perguntar ao senhor onde se faziam encadernações, não era ali, era na Student Union – em frente à qual me tinha caído tudo. Pedi humildemente um saco de plástico e passo de corrida para lá. Tanto o Sketchbook como as fotografias estavam molhados demais para encadernar e algumas tinham mesmo de ser impressas de novo. Aí amaldiçoei a minha vida por não ter levado o computador – nunca mais vou sem ele para lado nenhum!

Passo de corrida até ao Eldon Building para deixar lá o peso a mais. Ainda estava tão atarantada que não fiz nada alem de falar com os meus colegas e depois tive de correr para a aula de inglês no Park Building. A aula foi gira vá, mas eu estava com pressa. Entretanto decidi voltar a Bosham – meia hora para lá – pegar no portátil, esperar pelo próximo comboio – esperar 40 minutos – e voltar para Portsmouth, imprimir as páginas estragadas de novo e ir finalmente encadernar.

Saí da aula ainda com tempo de sobra para apanhar o comboio portanto fui pôr o Feedback Book  encadernar e fui ao Eldon explicar ao meu professor o que se estava a passar e porque é provavelmente eu não iria aparecer lá hoje. É que eu saí de Portsmouth às 2 e só consegui voltar às 4. Como o Eldon fecha às 5, pareceu-me um bocado impossível imprimir, encadernar e chegar a tempo de fazer o que quer que fosse. Entretanto lá me atrasei com o prego e o berbequim para pendurar as minhas fotografias e mais uma vez, passo de corrida para a estação com uma mordidela na língua tal que mesmo que eu quisesse insultar alguém não podia, a língua ficou dormente.

O stress no comboio para casa, o gajo dos óculos escuros com metal aos berros, o telemóvel sem bateria para eu ouvir a minha musica e não tem de ouvir a dele distorcida, a minha estação que nunca mais chegava… Chegar a casa, ligar o computador, pôr o pfd na pen. Não cabe, é muito pequena. Pôr no disco – o disco está cheio, toca a eliminar coisas. Pronto, pdf no disco, desligar o computador, engolir um iogurte que afinal era de comer.

Desta vez não facilitei, peguei na mochila, meti as coisas que queria levar comigo lá dentro, meti o que ainda estava bom do Sketchbook num saco de plástico, fechei-o muito bem fechado com fita-cola e ainda o meti dentro da protecção do computador que é anti-chuva. Está claro que levei o computador. Mas ficou sol, por isso não levei guarda-chuva. Correr para a estação e agonizar no comboio.

Portsmouth finalmente, está a chover outra vez. Correr para o Park Building. Felizmente havia um computador vazio. Login, ligar o disco ao pc, abrir o pdf, imprimir… A impressão sai com um tamanho diferente das outras folhas.

“Ora pensa, já fizeste isto antes, saiu com o mesmo tamanho, mas estava em jpeg.”

O Adobe reader tem uma opção para converter em jpeg sim senhor. Não encontrei no computador da Universidade, peguei no meu, ligar, abrir, procurar – AAAAAAAAAAAAAAAIIIII! Encontrei finalmente. Outra seca, esperar que todas as paginas sejam convertidas para jpeg. A minha sorte, no meio deste azar, é que a maior parte das paginas estragadas eram das primeiras, então deu para passar essas para o disco e imprimi-las enquanto esperava desesperadamente que o programa convertesse todas as raios partissimas, já que as ultimas que eu tinha de imprimir eram precisamente as ultimas duas paginas.

Tudo impresso, saí do Park Building às 5 e corri para a loja de encadernações, a apanhar águinha pela cabeça abaixo. Felizmente ainda estava aberta e o senhor simpaticamente encadernou-me o Sketchbook agora revigorado. Pronto, já tinha o Sketchbook e o Feedback Book encadernados e bonitinhos, menos mal. Mas não fiz mais nada o dia todo e isso é mau. Pior ainda, tinha a cartolina e a cola e as letras impressas na galeria do Eldon Building, que fecha às 5. Corri para lá, eram 5.15. Procurei nos escritórios todos alguém que me abrisse a galeria. Uma senhora arranjou simpaticamente a chave, mas não podia abrir a galeria porque senão o alarme disparava. Esperei por um segurança, que nunca mais aparecia. Finalmente apareceu um senhor gordinho anafado e simpático que me abriu a galeria. Tirei a cartolina, as impressões e deixa a porcaria da cola lá dentro!

Já não havia nada a fazer, por isso fui para a estação, com o passo acelerado e a transpirar, mas sempre debaixo de chuva. Apanhei o comboio. O alivio, mais ou menos. Agora tenho de cortar letrinhas, cola-las em cartolina e cortar a cartolinas, sem ter cola em condições para isso. Estou estourada. Mas vá, o dia não acabou mal. Estou orgulhosa do meu Sketchbook, o meu Feedback Book está bonitinho, a minha exposição está por acabar de montar mas vai ser a mais original de todas… Amanhã ainda tenho de imprimir um auto-retrato. A partir de segunda-feira fico sem nada que fazer.

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Uf… Estou cansada só de contar isto.

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Inté,

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Inês

uma resposta to “Um dia de doidos”

  1. […] foi há muito meses atrás, quando eu me enganei no comboio para Londres, o segundo foi quando o meu trabalho de fotografia foi quase literalmente por água abaixo e agora este, passado um ano, talvez porque alguém achou que as coisas estão a correr demasiado […]

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