arquivo de Apr, 2009

A miudagem

28
Apr
2009

Este mundo está perdido! Hoje a minha viagem de comboio para casa foi quase hilariante. Envergonhem-se todos os gajos que se julgam muito bons e espertos em termos de engate e todos aqueles que acham que têm descaramento para o fazer.

Estava eu a revolver algumas palavras para construir uma frase mal-amanhada em inglês no belo do meu portátil, quando entram no comboio dois miúdos e uma menina. Eu estava com os fones nos ouvidos, só me apercebi que entraram porque o meu acento era mesmo ao lado da porta.

A menina começou a reclamar com um dos miúdos qualquer coisa que tinha a ver com ele para de olhar para algum lado, mas não era nada comigo, pensei. De repente um dos miúdos senta-se à minha frente, apesar de o comboio estar cheio de lugares livres. Continuei a fingir que não era nada comigo, afinal ele tinha direito de se sentar ali, mas aí o “pára de olhar para ela” da menina já me incluiu. O segundo miúdo, amiguinho do primeiro, sentou-se ao lado dele, aconchegou a nádegas no assento e perguntou-me logo onde é que eu tinha comprado o meu piercing – para quem não sabe, eu uso um piercing no sitio dos furos de orelhas comuns.

Pois bem, a conversa já era comigo. E foi uma conversa engraçada. A menina estava constantemente a repreendê-los, por serem tão atrevido, mas isso não os impediu de fazerem uma entrevista completa: porque é que tinha comprado o piercing em Portugal, se eu era de Portugal o que é que estava aqui a fazer, quando é que ia voltar para Portugal, se era difícil estar aqui longe dos amigos, se eu gostava de cá estar, quando é que voltava definitivamente para Portugal e se eu tinha MSN. Há também perguntaram a minha idade e o meu nome, e ainda tentaram adivinhar o meu MSN através do meu nome, mas como mal o sabem dizer, escrevê-lo em condições estará fora de questão. Pois é, estes ingleses gastam a conversa e o atrevimento todos aos 13 e depois quando deviam dizer alguma coisa lá para os 18 ou 20 são mudos que nem portas, ou seja, só imitem ruídos quando não estão em condições.

Eu lá cheguei ao meu destino, Bosham, mas eles continuaram no comboio e desejaram um bom dia. Foram atrevidos, mas foram educados, é pena que fiquem parvos quando crescem.

Se calhar agora, caros leitores de sexo masculino, não é má ideia tentarem este tipo de abordagem em transportes publico a ver se vos corre bem. Se não correr comecei a andar com uma fotografia de quando tinham 13 anos, que pode ser que convença melhor.

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Inté,

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Inês

Superstars

27
Apr
2009

A minha reacção normal a telefonarem-me a meio da noite e interromperem o belo do meu sono profundo seria insultar o individuo que o resolvesse fazer até à sua 5ª geração.

Ontem a noite não foi assim. Estava eu a sonhar com qualquer coisa que metia programação pelo meio – o acionscript anda a comer-me o cérebro – quando me surge um problema que implicava anular um efeito qualquer estranho num dos objectos do programa. Esse movimento estranho era nada mais, nada menos uma vibração da qual eu não me conseguia livrar. Entretanto lá comecei a emergir dos confins do meu subconsciente e um brilho nos olhos começou a chatear-me. A vibração continuava. Finalmente abri os olhos e só distinguia aquela luz meia azulada e a motosserra intermitente. Olhei para o lado de onde vinha o barulho, era o telemóvel a tocar.

Ainda com os olhos todos desfocados e com um esforço quase sobre-humano para mexer os músculos adormecidos conseguiu pegar no telemóvel e ver quem era –  era o Walter. Atendi e soube-me bem. Soube-me mesmo bem ouvir a “Superstars” do David Fonseca ainda que só por um bocadinho. Soube-me tão bem que nem pareceu destorcida a música. Fartei-me de sorrir por dentro, que os músculos da minha cara estavam demasiado dormentes para se mexerem.

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O telemóvel desligou. Pousei-o, virei para o lado e adormeci a cantarolar:

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When I danced with you, I felt like superstars do

Me and you

We’re just like superstars.

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Obrigada Walter.

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Inté,

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Inês

Má vontade

25
Apr
2009

Primeiro dia de trabalho é para o tecto. Estou com sono demais, estou chata demais, estou ranhosa demais porque queria estar em Aveiro a ver GNR e Linda Martini, e estar com a Maura e com o Walter. Trabalhei de menos.

Vou dormir para espantar besouros. Amanhã que chova muito para eu não querer ir lá para fora, e que às 8 da manhã eu já consiga dormir com a luz no quarto.

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Inté,

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Inês

O fim de semana do Inferno

24
Apr
2009

Bem vai começar o fim do semana do inferno, oficialmente às 2 tarde de hoje, depois de sair a correr da aulas que acaba a 1, para apanhar o comboio que é à 1 menos 5, estar meia hora a olhar para o tecto, chegar a casa pousar as coisas, instalar-me na secretária e colar-me ao computador até não aguentar mais dos olhos e/ou dos dedos…

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O trabalho de inglês está feito, hoje vou entregar um draft à minha professora, para ela corrigir e dar opinião. Ontem tive a frustrante tarefa de andar a cortar palavras a mais, porque o trabalhinho só podia ter 1500, e eu tinha quase 3000. Os trabalhos nunca deviam ter limite máximo de palavras… Com um limite mínimo eu concordo, à que dizer alguma coisa, mas os limites máximos deviam ser banidos, a não ser, claro, naqueles casos que fogem ao senso comum, de alguém resolver 10000 palavras para um trabalho acerca do qual nunca tivemos exemplos tão extensos nas aulas.

O trabalho de fotografia… Está quase, acho eu. É incrível a facilidade como arranjo sempre coisas novas para lhe pôr e para fazer… E ao mesmo tempo detesto-o. Ao menos vou ter a satisfação de obrigar a minha professora a comer com pelo menos 200 páginas de imagens e descrições de manipulações que depois das primeiras 5 é sempre a mesma coisa. Só gostava que fosse tão penoso lê-lo como foi fazê-lo.

A propósito de fotografia, eu estou a precisar de uns trocados, porque a senhora Royal Hightness Claire – como lhe chamou, e muito bem, o Adam – deve achar que somos todos ricos, alem de não termos outra coisa que fazer na vida que andar a tirar fotografias, a manipula-las e a publica-las em sites. A senhora continua a sugerir insistentemente que façamos flyers, cartões de visita, impressões para a exposição, grandes de preferência, se o sketchbook for feito a computador à que imprimi-lo, alem de todas aquelas bugigangas que se vêm na net que dá para fazer com as fotografias que têm sempre um preço modesto se uma pessoa decidir fazer uma, e não todas de uma vez. A Universidade de Portsmouth oferece generosamente uma impressão tamanho A2. Portanto eu aceito donativos, mandei-me um email que eu mando-vos o nib. Quem não souber o meu email que deixe um comentáriozinho a dizer que teria todo o gosto em ajudar-me, com o respectivo contacto, que eu envio o nib à mesma.

Virando o disco – estou completamente e absolutamente “screwed” em bom inglês com o jogo de action script. Apesar de todas as perguntas que fiz sobre o coursework  não percebi, mesmo assim, que a porrinha da história que o Steve nos deu num handout era para seguir, então comecei a inventar uma história para a qual o jogo já alinhavado. Tudo para o lixo, ou quase tudo. Agora tenho de fazer uns golfinhos, que só podem apanhar peixinhos de uma cor respetiva, não podem bater um contra o outro e são paralisados por anémonas. Porrinha para o golfinhos, os peixinhos e as anémonas. Porrinha para o desenho também. Vou começar outra angariação de fundos para ir tirar um curso intensivo de desenho ou design, ou de preferência os dois juntos de uma vez.

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Para melhorar, depois de uma semana com sol dentro das salas de aula, vai estar a chover durante o fim de semana, para irmos brincar para o jardim, tipo sapinhos no charco. Ainda por cima eu tinha descoberto que era fixe trabalhar no jardim.

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Uma vez que já vos descrevi o quão maravilhoso será o meu fim de semana deixem-me só pedir-vos um favor: se fizerem coisas fixes não me contem!

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Ah! Já me esquecia, podiam ser simpáticos e dar-me links para as curtas do primeiro ano, para eu ver como se portaram os mancebos.

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Tenho aula de inglês agora, divirtam-se.

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Inté,

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Inês

Levem-me de volta

20
Apr
2009

Uma coisa que constatei mal pus os pés em terras de sua Majestade – ir à terrinha a meio de experiencia “extra-muros” é má ideia. É que na despedida há aquela vontade desmedida de ir embora porque não se conhece nada e já se está farto de aturar a mesma coisa. Chegasse ao país estrangeiro, é tudo novo, se correr tudo bem é tudo muito engraçado, os amigos até continuam perto porque falam todos os dias connosco e os dias vão-se passando entre contar as coisas aos velhos amigos e fazer uns quantos novos e com casa em países diferentes para fazer planos de férias quando nos sair o Euromilhões – se bem que aí que se lixe a casa do amigo, que o Euromilhões paga bem uns hotéis de cinco estrelas, uns jactos particulares e a camada de ozono.

Quando o regresso acontece… Duas semanas antes do regresso comecei a ficar completamente improdutiva, a única coisa que fazia direito era a mala, que fiz e refiz e “tresfiz” por causa dos limites de peso. Trabalhos nem vê-los, afinal as férias da Páscoa eram grandes para fazer alguma coisa. O problema é que a vontade de fazer alguma coisa ficou-se por terras de sua Majestade. É a caminha conhecida, o poder dormir até que horas apetecer, é ter mil e uma coisas mais interessantes para fazer, é o querer ver, estar e tocar em toda a gente ao mesmo tempo, enfim, uma data de “és” e nada de “faz”.

Se no post anterior me queixei que me fartei de trabalhar, aqui a queixa piora – fartei-me de trabalhar e não ver resultado nenhum, porque simplesmente não rende nada trabalhar sem um prazo a vista, ou pelos a ter de mostrar qualquer coisinha nas aulas. Rende ainda menos tentar trabalhar em casa, com televisão, mamã, papá, irmão e cãozinho novo.

O que é mesmo fixe de voltar é que de repente ficamos importantes, toda a gente nos quer ver, toda a gente quer estar connosco – mais uma razão para fazer muito pouco. Alem disso há sempre imensa coisa para fazer na terrinha e acabamos por não fazer nem metade. É recado para aqui, ir buscar isto, ir buscar aquilo, comprar coisas que a Majestade tem muito caras, mas tentar concentrar-me em alguma coisa é tarefa impossível.

E vem a parte boa. Estar com amiguinhos, abraços, beijinhos, miminhos, e devia bater-vos, ou a vocês ou aos vossos queridos professores por terem de estar a trabalhar tanto na semana em que estive em Aveiro! Devia ser proibido, eu mandei decretar feriado semanal, mas os senhores da Universidade esqueceram-se de avisar… Quando eu voltar em Junho arranjo forma de vos pôr inúteis para fazerem qualquer coisa divertida, que ser do nosso ano e estar em projecto é demasiado encafuado para o meu gosto. Mesmo assim foi giro ver-vos, e estar com vocês.

À Maura e ao Walter, para a próxima fazer o favor de ir a Aveiro ao mesmo tempo que eu, que estar lá sem vocês é demasiado estranho, falta um bocado, estava sempre a pensar em mandar-vos uma mensagem a perguntar onde estavam e o que íamos fazer a seguir.

E pronto acaba-se por vir embora sem nem metade das coisas que se tinha para fazer feitas, e com saudades redrobadas, que isto delas morrerem não é numa ou duas semanas, é preciso meses para voltarmos a ficar fartos de nos aturar e querermos mandar-nos todos apanhar figos.

Estou a odiar este post, acho que a medida que escrevo o paragrafo seguinte ele piora, portanto vou ficar por aqui. Agradecimentos já os fiz pessoalmente e a esta hora já devia estar no meu quinto sono.

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Inté,

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Inês