Este mundo está perdido! Hoje a minha viagem de comboio para casa foi quase hilariante. Envergonhem-se todos os gajos que se julgam muito bons e espertos em termos de engate e todos aqueles que acham que têm descaramento para o fazer.
Estava eu a revolver algumas palavras para construir uma frase mal-amanhada em inglês no belo do meu portátil, quando entram no comboio dois miúdos e uma menina. Eu estava com os fones nos ouvidos, só me apercebi que entraram porque o meu acento era mesmo ao lado da porta.
A menina começou a reclamar com um dos miúdos qualquer coisa que tinha a ver com ele para de olhar para algum lado, mas não era nada comigo, pensei. De repente um dos miúdos senta-se à minha frente, apesar de o comboio estar cheio de lugares livres. Continuei a fingir que não era nada comigo, afinal ele tinha direito de se sentar ali, mas aí o “pára de olhar para ela” da menina já me incluiu. O segundo miúdo, amiguinho do primeiro, sentou-se ao lado dele, aconchegou a nádegas no assento e perguntou-me logo onde é que eu tinha comprado o meu piercing – para quem não sabe, eu uso um piercing no sitio dos furos de orelhas comuns.
Pois bem, a conversa já era comigo. E foi uma conversa engraçada. A menina estava constantemente a repreendê-los, por serem tão atrevido, mas isso não os impediu de fazerem uma entrevista completa: porque é que tinha comprado o piercing em Portugal, se eu era de Portugal o que é que estava aqui a fazer, quando é que ia voltar para Portugal, se era difícil estar aqui longe dos amigos, se eu gostava de cá estar, quando é que voltava definitivamente para Portugal e se eu tinha MSN. Há também perguntaram a minha idade e o meu nome, e ainda tentaram adivinhar o meu MSN através do meu nome, mas como mal o sabem dizer, escrevê-lo em condições estará fora de questão. Pois é, estes ingleses gastam a conversa e o atrevimento todos aos 13 e depois quando deviam dizer alguma coisa lá para os 18 ou 20 são mudos que nem portas, ou seja, só imitem ruídos quando não estão em condições.
Eu lá cheguei ao meu destino, Bosham, mas eles continuaram no comboio e desejaram um bom dia. Foram atrevidos, mas foram educados, é pena que fiquem parvos quando crescem.
Se calhar agora, caros leitores de sexo masculino, não é má ideia tentarem este tipo de abordagem em transportes publico a ver se vos corre bem. Se não correr comecei a andar com uma fotografia de quando tinham 13 anos, que pode ser que convença melhor.
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Inté,
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Inês