Ora 6ª a noite a Kath tirou-me de casa para me levar a sair com ela e com ingleses a sério. O Scott, namorado dela, e o Neigel, amigo do namorado dela, vieram buscar-nos por volta das 8 da noite para irmos para Chichester para um Pub. Sim meus filhos, aqui sai-se de casa às 8 da noite para ir ao café depois de jantar…
Primeiro Pub era mesmo o típico Pub inglês, em madeira, com sofás e mesas baixas, pessoas já muito bêbedas e de várias faixas etárias, copos de cerveja, vinho e ceider e a cheirar a álcool. Digamos que aqui eu passei o tempo quase todo com uma dificuldade terrível em perceber o Neigel, não só por causa do barulho que me dificultava a audição, mas também porque ele não fala, como ele próprio diz, “proper english”. Pois bem ele é mestre em “slang” – calão para quem não sabe. Como rapariga tímida que sou, em países estrangeiros, mantive-me caladinha o tempo quase todo que estivemos lá a ver se percebia alguma coisa que ele dissesse.
Segundo Pub era muito mais moderno. Também cheio de gente mais ou menos bem vestidos, tudo a beber cerveja, ou alguma qualquer coisa desde que tivesse álcool, e a fazer barulho. Aqui lá entramos na típica conversa da diferença entre línguas em que o Neigel me explicou algum “slang” que felizmente eu não me lembro, porque algumas coisas eram tão más, que a Kath recusou-se a dizer. Ainda nos rimos um bocado.
Entretanto eles foram cumprimentando montes de gente que ia aparecendo aqui e acolá, enquanto fazíamos horas para ir para a discoteca e, de repente, aparece uma rapariga vestida de branco, toda pintada de azul, e com um chapéu branco todo côncavo – estava mascarada de Strunf. Aí fez-se luz na minha cabeça e eu percebi porque é que os ingleses não têm carnaval. A bem dizer eles não precisam, porque mascaram-se por tudo e por nada quando querem e bem lhes apetece. E as lojas cá têm durante todo ano os mais diversos adereços, que os mais inteligentes usam só quando se mascaram, e os menos acham que é fashion e usam como se fosse algo feito para se usar no dia a dia.
A rapariga estava uma bocadinho irritada com as amigas de quem se tinha perdido, porque era a única coisa azul lá no meio, mas lá acabou por as encontrar, depois de ter explicado a toda a gente o que tinha guardado na mama esquerda e na direita, segurando as respectivas quando falava delas. O pertences eram dinheiro, cartão de crédito, e imaginem, o telemóvel, que ela diz que era muito estranho senti-lo a virar ali.
Quando são mais ou menos 10 da noite o Scott acha que é melhor irmos para o Thursdays, a discoteca para onde fomos. Ora ele enganou-se um bocadinho na hora, porque fomos p’raí os segundos a entrar, então aquilo estava completa e absolutamente vazio. Infelizmente manteve-se assim durante umas horas, que é como quem diz para aí até à 1 da manhã, em que o meu cérebro esteve ligado ao trabalho que eu tinha para fazer e ao como devia estar em casa a faze-lo. Além disso não tinha levado a máquina fotográfica, porque enfim há sempre algum receio que ma roubem, e também me martirizei por isso, porque os efeitos das luzes no fumo que era cuspido de vez em quando para a pista de dança tinham dado fotografias muito bonitas.
Entretanto começa a chegar gente e começamos a circular. Não havia assim muito para onde ir porque aquilo era bastante pequeno, mas era porreiro. Tinha a sala principal da pista de dança, que tinha sofás, mesas, a pista no centro e dois bares; depois havia uma salinha mais pequena com mesas e cadeiras, e dois bares de cocktails e shots, e finalmente um patiozinho cá fora, mais uma vez com mesas e cadeiras, e um chinês a cozinhar hambúrgueres e cachorros a noites toda. Dois pormenores que eu gostava de ver implementados em Portugal sem duvida seriam as mesas e cadeiras por todo o lado e o rapaz dos hambúrgueres a noite toda, dava mesmo jeito.
Desta vez a sensação intrusiva que eu senti no Tiger Tiger não se fez sentir, mas havia muito mais gajos no nosso grupo e o Scott disse-me que andava a expulsar os intrusos do pé de nós, o que foi muito “nice” da parte dele. De qualquer forma as danças são bastante “orgíacas”. Basicamente quanto mais se esfregarem, melhor. Não sei se já referi isto, mas a moda aqui é usar saias e vestido que só cubram as nádegas, ou calções tão curtos que também só têm esse efeito (mais valia andarem de cuecas), então o que mais se viu foi disso. Nas gajas boas uma pessoa pensa, “pronto, é uma porca”, mas nas meninas menos bem feitas, nomeadamente brutamontes com pernas do tamanho de troncos e roupas extremamente apertadas, não é nada agradável à vista. Alem das Strunfs, que eram 4 meninas, também surgiu lá um grupo enorme de rapazes e raparigas meios mascarados, e digo meios porque eles não estavam mascarados de nada especialmente, mas indumentária tinha um tema qualquer que eu não percebi.
Os amigos da Kath e do Scott eram porreiros, simpáticos e muito engraçados bêbedos. Um deles meteu-se comigo e com a Kath, porque o Scott não nos apresentou e ele não sabia os nossos nomes, e depois fomos dançar todos juntos e aparvalhar um bocado.
Assim coisas estranhas… Uma rapariga estava vestida de leopardo, incluindo os sapatos, havia uma data de indianos, ou monhés, cheios de roupa, apesar do calor que estava lá dentro, com aquele estilo desportivo foleiro típico de emigrante que quer ser “cool”, a contrastar com o ingleses que nunca andam com quase roupa nenhuma. Havia uma rapariga com um vestido tão justo e tão curto que eu aposto que não podia ter cuecas vestidas, senão viam-se as marcas, e também não se podia sentar de certeza. Não sei que penitencia pagam as meninas inglesas, mas pela quantidade de sapatos de salto de 15 cm que eu vi lá, elas sofrem bastante. Havia dois rapazes já um bocado mais velhos, de fato, em que um deles estava a dançar de uma forma muito escandalosa então o outro confessou-nos que era o seu melhor amigo, e como estava a ficar envergonhado se ia juntar a ele. Este ultimo dançava mesmo bem.
Mas nem tudo foram rosas… Infelizmente existem meninos que já têm idade para serem senhores, e continuam a portar-se como putos do 5º ano. Empurrar, passar a mão nas costas discretamente, quando se passa por alguém, fazer de conta que se foi contra a pessoa sem querer, até arriscar um bocadinho de mandar um boca simpática a miúda do lado – atenção que boca simpática não são coisas como “que belo cagueiro”, ou “hi! És tão boa”, nem tão pouco “comia-te toda” – são tudo coisas aceitáveis e relativamente fáceis de praticar, o máximo que vos pode acontecer é levarem com uma cara tão antipática que a gaja que pensavam que era bonita fica a parecer-vos realmente feia, ou conhecerem o horroroso do namorado. Agora uma coisa incrivelmente ridícula, infantil e até desactualizada é a porcaria do apalpões. Apalpões no rabo são a coisa mais asquerosa que um gajo pode fazer a uma rapariga – pelo menos na minha opinião, que acredito que haja quem goste. Pior ainda é quando os meninos se juntam todos em grupinho, um deles apalpa, e depois encobrem-se uns aos outros a fingir que não foi ninguém e que não é nada com eles. Ao menos tenham-nos no sitio para assumirem a ousadia e dêem a cara à estalada, aposto que ficavam mais excitados.
Enfim pronto, não me quis chatear com ninguém, então mudei de sitio.
E pronto, viemos embora lá para a 3 da manha, até porque estávamos bastante cansados, que isto de levantar muito cedo é incompatível com noitadas…
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Para quem não sabe o que um Strunf é — > 

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Inté,
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Inês