arquivo de Feb, 2009

Every cloud has a silver lining

26
Feb
2009

Aprendi hoje este provébio na aula de inglês. A tradução à letra não faz muito sentido, como qualquer provérbio. O significado dele é que por detrás de qualquer coisa má  que nos esteja a acontecer está sempre algo bom.

O mais curioso é que o dia de hoje parece estar a ditar esse provérbio. De manhã acordou cinzento e pesado, como a maior parte dos dias aqui, e agora as nuvens estão a desfazer-se e os raios de sol de fim de tarde estão a aparecer. É um fim de dia muito bonito e o céu está especialmente interessante hoje. É possível ver o azul por detrás das nuvens brancas, que estão tão rasgadas que ficaram transparentes. O sol a bater nesse branco dá um brilho bonito e varias tonalidade de azul e branco e cinza ficam pinceladas. Faz lembrar o mar, mas parado.

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Estou a escrever no comboio, a caminho de casa. A viagem até me agrada. Já disse que o comboio era confortável, mas a vista também é interessante. Há montes de arvores e campos enormes todos verdes mais à frente, ou mais atrás. Dá para fazer coisas úteis, como escrever posts ou fazer os trabalhos de casa, porque tem daquelas mesinhas que no alfa só existem umas duas por carruagem e a viagem é longa, portanto há que fazer coisas úteis.

É giro ver todas as casinhas tradicionais inglesas que eu não sou capaz de descrever sem estar a olhar mesmo para uma. Se um dia ganhar coragem e convencer alguém tão doido como eu faço a linha a pé para tirar fotografias. Os vidros são muito sujos para tirar através deles.

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Pensando no provérbio outra vez, acho que não é só pelo dia que ele me agradou tanto. No fundo parece um bocado a metáfora da minha estadia aqui. Afinal eu estou num pais cinzento, com muito menos sol do que eu desejaria, para no fim tirar alguma coisa boa, alguma vantagem disso. E uma nuvem não tem de ser necessariamente uma coisa má, pode ser só uma coisa que gostamos menos. O tempo é, neste caso aquilo que eu gosto menos.

Acabei de ver um esquilo no cimo de uma árvore!

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Tenho pena de não ter o meu carnaval, gostava de me ter mascarado de arvore este ano… Mas pronto, para o ano há mais.

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Na universidade está tudo calminho ainda. Continuo a conhecer pessoas diferentes, chineses e franceses principalmente, mas hoje conheci duas meninas portuguesas muito giras e muito simpáticas. São a Andrea e a Andreia. Elas queixam-se que há muito pouco portugueses cá. Sabe sempre bem encontrar conterrâneos.

Vou ter montes de trabalhos para fazer a tenho de começar a pensar num jogo de action script simplezinho – sugestões aceitam-se.

Também tenho de ver se ando com a porcaria da página para fotografia, mas isso anda a dar-me mais trabalho que a conta… Ando a ficar chateada.

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Aprovem o que resta das férias de carnaval seus calaceiros!

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Inté,

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Inês

Algo teu.

25
Feb
2009

Já tinha sorrido hoje a ouvir esta música e já tinha pensado em pô-la aqui. Lembrei-me outra vez em conversa, com alguém cujo o nome não interessa.

Adoro esta música. Adoro as palavras que ela tem. Adoro a simplicidade da música.

A bem dizer isto não é uma música, é um poema recitado duma forma bonita.

Alguns já terão lido o que eu escrevi sobre ela. Ainda não sabia muita coisa nessa altura. Muita coisa boa e muita coisa má.

Sempre me achei a pessoa mais feliz do mundo. Sempre me soube bem estar sozinha.

Nunca pensei que pudesse ser ainda mais feliz do que era. Mas fui. Tive  felicidade extrema, senti-me nas nuvens, senti-me grande, maior que o mundo. Senti que nunca mais ia acabar.

Também nunca pensei que fosse possível sentir-me tão mal como me senti quando me arrancaram essa felicidade. Nunca pensei que a fosse querer ao ponto de a perseguir, de a procurar onde já tinha existido. Mas foi-se, acabou. Só nunca mais acabava aquele remoer corrosivo que me deixou tão infeliz que não me reconhecia. Parecia eterno, até que passou.

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Hoje ao ouvir esta música sorri de satisfação. É tão bonita, é tão verdade. É algo que vem, cresce, morre e passa.

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A minha satisfação é quase maldosa. Voltei ao que era, a menina sozinha. Se sou feliz assim? A mais feliz do mundo.

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Assim é que eu estou bem, assim é que me reconheço.

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Companheiro piloto, nunca tive nenhum. Tenho tempo de o conhecer um dia.

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Pluto – Algo teu

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Inté,

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Inês

Um dia tinha de cair

22
Feb
2009

Acho que já referi que a casa onde eu moro é bastante antiga. Mais precisamente tem 104 anos.

É toda alcatifada, tem papel de parede, as portas tanto abrem para um lado como para o outro e o autoclismo da casa de banho tem umas pancas esquisitas. Mas é quentinha e confortável.

Tem jardim a frente e atrás, sala, escritório, sala de jantar, uma espécie de alpendre mas ao nível térreo todo envidraçado, onde não se pode estar no inverno por causa do frio, garagem, cozinha, sala de jantar e 4 quartos. O meu tem cama de casal.

Tem também dois andares. O de baixo é para o resto, o de cima é para os quartos. E umas maravilhosas escadas, claro está. E sim, são daquelas pequeninas, baixinhas e tão fininhas que a subir só se apoiam os dedos e um nico do peito do pé. Mas subir é fácil, até é rápido, dá para subir 3 degraus de cada vez sem esforço. Descer é o mimo.

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Acordei ontem de manhã por volta das 9.30. Dormir mais aqui só comprando palas para os olhos. Robe, xixi matinal, conversa com a Manela, decidir se faço a cama ou não, engonhar, decidir se se vai tomar o pequeno almoço ou não – decido ir tomar o pequeno almoço.

Geralmente eu tenho atenção em pôr os pés assim virados para fora, para eles encaixarem bem nos degraus onde só cabe meio calcanhar e tem resultado. Vai lá saber qual sorte me deu ontem, desci as escada com todas as descontrações e despreocupações de quem desde umas normalíssimas escadas e zás – o pé falha o degrau, a minha mão acerta no quarto da parede que não caiu por acaso, o rabo bate em cheio no degrau mais próximo e eu deslizo suavemente pelo resto dos degraus até ao ultimo, onde fico sentada com a bochechas a arder. Acordei definitivamente.

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O resto do fim de semana foi pacifico. Tenho de começar a fazer render estes fins de semana, que estou extremamente preguiçosa.

Descobri que não há porcaria de remote shutter realese para a minha maquina fotográfica – os que não sabem o que é vão ver à internet que eu estou demasiado frustrada para tal, já corri a internet toda a procura disso. A minha câmara é uma Sony DSC-H5 por sinal, se alguém encontrar uma porcaria dessas compatível.

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Conheci dois cafés e uma mercearia portuguesa ontem, em Littleamptom e arredores.

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Hoje dei um agradável passeio por Ermsworth (agora não tenho a certeza se é assim que se escreve) e tenho uma fotografia altamente, mas só mostro quando montar uma pagina em condições.

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Inté,

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Inês

A revolta!

20
Feb
2009

Estou revoltada! Não! Isso é pouco! Estou mesmo completamente avariada!

Nunca mais acreditem que abrir uma conta num país estrangeiro não vale a pena, já que vão ficar pouco tempo, porque é mentira.

Sinto-me roubada! O BES cobrou-me 3,19€ no total por eu ter levantado 20£ – 22€ e qualquer coisa!

É realmente insultuoso. É chamar-nos estúpidos porque estamos a vê-los meter-nos a mão ao bolso e não fazemos nada.

Vou passar a guardar o dinheiro debaixo do colchão e dentro do soutien. Ao menos no último eu tenho a certeza que ninguém mexe!

Estou chocada!

O meu computador também me resolveu chatear agora!

Estou furiosa!

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O Word não é o space número 3! Pára de saltar para lá sempre que eu tento escrever desgraçado! (é o meu berro de revolta para o computador)
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É o descalabro. Vou virar forreta. E rota também, porque já não sei a quantas ando de dinheiro.

Nem consigo dizer coisa com coisa.
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Acho que é agora que vou tirar fotografias, mesmo assim furiosa, pode ser que dê expressividade à coisa…
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3,19€…
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Se a minha mãe não lesse isto dizia agora um belo chorrilho de asneiras, daquelas que nem ela sabe que eu sei dizer tal coisa.
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Enfim, vou virar pedinte. 3,19€! Isto não põe qualquer um doente?
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Inté,
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Inês

A rotina

19
Feb
2009

São só precisas duas semanas entrar nela. É o suficiente para reconhecer os sítios, os horários, as aulas, as pessoas. Podemos ainda não saber tudo de cor, mas já basta uma rápida vista de olhos ao horário para decidir como vai ser o dia.

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Casa, comboio, aulas. Almoço e horas livres geralmente passadas com a Ariane. Ela tem tendência para trazer amigos, o que é óptimo. Ás vezes a Doris também vem. Fim das aulas, comboio, casa.

Às vezes vou até à Comercial Road, uma avenida enorme cheia de lojas perto da universidade. É ampla e tem muita gente. Vêem-se imensos carrinhos de bebés e crianças pequenas a passear com as mães, principalmente.

Aqui por quase todo o lado à árvores, que agora estão despidas. Também há daquelas bancas de rua que vendem lenços, colares e pulseiras, como as de todo o lado, mas não são muitas. As lojas de sapatos são imensas. Nas lojas de telemóveis há sempre imensa gente a comprar e a atender, o serviço é super personalizado. Fui a várias com a Ariane para ela comprar um telemóvel inglês e para carregar o meu. O senhor que me atendeu foi muito simpático e quando percebeu que eu não era inglesa e não percebia nada do processo de carregamento, então fez tudo por mim.

Existe um centro comercial cheio de lojas, mas só passei lá, ainda não vi nada.

As lojas fecham às cinco da tarde, tanto as de rua como as dos centros comerciais.

No meio da Comercial Road está a roloute de junky food com o melhor slogan que eu já vi – – > FAT BOYS = GOOD FOOD.

Quase todos os dias almoço junky food, porque é o que há mais barato.

Ontem fomos abordadas por um gajo muito estranho, mas a Ariane livrou-nos dele depressa.

Ainda não percebi bem como funcionam as passadeiras. Acho que os carros não param para as pessoas passarem, as pessoas é que param para os carros passarem. Também há passadeiras com semáforos. Essas têm imenso tempo para os carros e muito pouco para as pessoas, mas os peões não respeitam muito os semáforos.

O comboio que uso todos os dias é super confortável e nunca está cheio.

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As aulas de inglês são as mais divertidas. Dois franceses, uma nigeriana, uns dez chineses e eu. Nestas aulas somos mesmo obrigados a falar uns com os outros, porque estamos sempre a argumentar e a discutir pontos de vista e temos de fazer exercícios aos pares. Perceber chineses a falar inglês é obra! A Elsa, a chinesa com quem vou fazer o trabalho de inglês, até se percebe bem, tive sorte.

O professor de C++ parece um pouco trapalhão, mas também com as múmias a quem dá aulas não me admira. Somos uma de turma de pouco mais de dez, sou a única menina. Tenho a certeza que no primeiro dia em que apareci todos eles pensaram que estava enganada, porque eu fui de vestido, botas de cano alto e casaco vermelho até ao joelho. Nunca ninguém abre a boca. É extremamente difícil meter conversa com quem quer que seja, parece que atacam se lhes dissermos alguma coisa.

As aulas de italiano são divertidas. Também temos de treinar aos pares, por isso já travei conhecimento com a Laura, uma menina colombiana que já mora em Inglaterra há muitos anos.

As aulas de animação e scripting dão-me muito sono. A culpa não é do professor, Steve Hand, que é muito bom a dar as aulas, mas são sempre a seguir ao almoço, duas horas de teórica. Aí também não é muito fácil meter conversa. As práticas são mais acessiveis, apesar de serem as 9 da manhã de sexta-feira.

Também é mais fácil meter conversa, portanto vou tentar fazê-lo amanhã.

Fotografia é o que me enche as medidas. A professora é porreira, mostra-nos imensas coisas diferentes e é toda virada para a internet. Gostou das minhas fotografias, o que sabe muito bem. Já tenho trabalho para a semana, que são retratos e auto-retratos. Ando a trabalhar nisso.

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O dias aqui começam muito cedo e por isso os ingleses não têm persianas. A partir das 7 da manhã as cortinas começam a ficar clarinhas. É por isso que me deito tão cedo. Mas é também muito mais fácil acordar assim, do que no escuro, portanto nunca tenho necessidade de dormir até ao meio-dia, e sair da cama à 9 da manhã é normal. A nossa “hora de almoço” não existe, mas o jantar é as 7 cá em casa, noutras pode até ser mais cedo.

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Aqui não há carnaval, portanto não há sequer sinais dele, mas acho que são propícios a bailes de máscaras. Pode ser que tenha sorte e ainda apanhe um.

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Inté,

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Inês