arquivo para a categoria ‘Erasmus’

Desejos

23
Jun
2009

Ai que bom estar de férias! É lindo! É maravilhoso! É revigorante! Neste estado o ócio fala mais alto e o que me apetece fazer é absolutamente nada, nem postar aqui, simplesmente córtir!

O regresso de Inglaterra até foi bastante atarefado: exposição de fotografia no Mercado Negro, passeio Amorim, reunião com a Câmara Municipal de São João da Madeira para pensar noutra exposição, que com sorte, sai lá para Janeiro, ir outra vez a Aveiro por causa da querida Faina, Alemanha e hoje São João… Sim eu estou a fazer questão de aproveitar bem o que posso estas férias, porque provavelmente são as últimas. A ideia de serem as últimas aterroriza-me! Muito!

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A exposição de fotografia parece estar a correr bem, pelo amigos tenho amigos fixes que dizem que gostam (risos), obrigada.

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O passeio Amorim é algo que talvez só amigos meus mais próximos conheçam, mas que vale a pena descrever. Há 18 anos atrás, uma senhora da minha família, casada com um primo do meu pai, teve a genial ideia de fazer um passeio de família. Mas este passeio de família não implicaria apenas o agregado familiar e um almoço de domingo, era muito mais que isso. A ideia era juntar toda a família Amorim, dos mais velhos aos mais novos, alugar um autocarro e sair um fim de semana, de sábado para domingo. Assim se fez, e ainda bem.

Estes passeio começa no Sábado de manhã bem cedo, com muita histeria e excitação típica da família de comedores e bons vivãs que são os senhores da família. Às 7 da manha o pequeno almoço é a feijoada que a Lurdes faz para o almoço, para provar, à que ver se está em condições, num tacho que eu própria não conseguiria abraçar. Passar fome nesta família é que nem pensar. As senhoras mantêm-se mais selectas, a tratar de filhos e malas e uma ou outra coisa que seja precisa.

Neste dia a rua do Ginho não tem sossego. Se por natureza os portugueses falam alto, os Amorins fazem questão de intensificar essa característica, brincando, gritando, e mandando bocas uns aos outros , mas de um lado para o outro da rua. Gargalhadas sonoras também não faltam assim como acusações de quem consegue ser o mais ou menos atrasado.

Passada a azafama de meter malas no autocarro, tacho da feijoada, bolas de carne, bolinhos de sobremesa, alguns carrinhos de bebés e, está claro, uma boa pinga, partimos num destino incerto, do qual, normalmente, só tem conhecimento o organizador. Este organizador é alguém da família, mais ou menos voluntariado, que trata da seca toda de escolher o sitio, marcar hotel, autocarro e se houver oportunidade atracções turísticas.

É bonito de ver que o autocarro está cada vez mais cheio. Lembro-me que em miúda não teria qualquer problema em ocupar dois lugares, assim como a maior parte das pessoas. Desta vez quase não sobravam lugares, e eu estou a falar daqueles autocarros que levam à volta de 50 pessoas. Houve alguém que lembrou que já 5 pessoas partiram desde que estes passeios começaram, mas também já aderiram a este evento mais uns quantos, e já nasceram outros tantos.

Como não se pode ficar muito tempo sem comer nem beber, as bolas de carne de que falei a pouco são para o lanchinho a meio da manhã, ou para o segundo pequeno almoço, como lhe quiserem chamar. Já não me lembro como fazíamos quando era miúda, tenho uma vaga ideia de pararmos em áreas e/ou estações de serviço, para comermos as dita bolas. Agora, já há bastantes anos, tradicionalmente vamos até às Caves Primavera, que nos abrem as portas e deixam uma sala enorme ao nosso dispor, assim como espumante do melhor que há. Outras vez risos, conversas, lembranças de outros passeios, partidas, chatear este ou aquele, ou vários, asneirolas, trenguices, fim da bola, que o espumante, tendo em conta que estamos na Caves que o fabrica, é difícil de acabar…

O rumo do almoço costumava também ser incerto e em função do nosso destino final. Mas levar pratos, talheres, copos, feijoada, guardanapos, panados para os batoteiros, mais crianças e adultos que se portam como tal tornava a coisa pouco cómoda. Ora estabeleceu-se amizade com Osvaldo não-sei-o-último-nome, dono de umas caves da quais também se me varreu a nomenclatura, fabricante de grandes vinhos, espumantes e aguardentes que ganham uma data de prémios. Este senhor não só nos oferece a sala para comermos a bem dita feijoada em sossego, como tem pratos, talheres e copos à disposição, vinho, fruta e uma senhora para lavar tudo no fim. Além disso ainda faz uns sorteios engraçados, em que se oferece uma ou duas garrafas de alguma coisa ao membro da família premiado.

Almoço, arruma-se tudo, mete-se o tacho na camioneta, que normalmente ainda tem qualquer coisa, porque mais vale sobrar que passar fome, e finalmente vai-se até ao destino final, que pode ser um hotel, pousada, qualquer coisa com espaço e piscinas de preferência, num sitio sossegado e com coisas para ver se se quiser.

Chegados ao destino é a confusão de distribuir quartos, porque nunca se acerta à primeira como vão ficar, há sempre uns pissinhas no meio que dizem que sim, não, talvez, não sei, nim… Arrumar coisas no quarto, explorar o hotel, piscina, banhos, jantar e um pezinho de dança no sitio mais próximo que o permitir. Este ano foi engraçadíssimo irmos todos para uma festa da terrinha onde ficamos, a 10 km de Chaves, com uma daquelas bandas pimba, em que o palco era o próprio camião e o senhor não queria que fossemos embora.

O dia seguinte costuma ser bastante pacifico. Já há muitas garrafas de agua das pedras nas mãos dos homens, principalmente, mas continua a brincadeira, as bocas, as gargalhadas e as asneirolas que seriam impróprias para as idades para quem não nos conhece…

Enfim é um fim de semana muito bem passado e que vale muito a pena, principalmente por um coisa que a Catarina fez questão de referir desta vez: se não fosse este passeio nunca nos teríamos conhecido a todos, estaríamos todos dispersos, cada um para os seus lados e com as suas vidas. Assim pelo menos uma vez por ano podemos estar todos juntos, contar historias do arco da velha, ver uns crescer, outros a ficar mais velhos e uns que estão sempre iguais não importa os anos que passem. Os mais novos ficam a conhecer as histórias das quais não se lembram, os mais velhos procuram nos mais novos as características que condizem com a linhagem. É uma coisa que eu aconselho vivamente a toda a gente fazer se puder. Podem começar com 10 pessoas, tenho a certeza que até nas famílias mais pequenas é possível, e esse numero só vai ter tendência para aumentar.

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Não vou falar na Faina, que este post está bonito e não me apetece estraga-lo com coisas menos bonitas…

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Em relação à Alemanha, a primeira coisa que tenho a dizer é: nunca mais vou a um país sem saber dizer uma frase na língua materna! É um atrofio as pessoas falarem e não termos ideia do que nos estão a dizer!

Línguas à parte, a minha estadia na Alemanha foi maravilhosa. A Maura além de excelente anfitriã é excelente guia turísticas. Estou toda partida, doem-me as pernas, mas valeu a pena. Em 4 dias vi quase tudo em Weimar, que é uma cidade muito fixe. Em todos os pontos há coisas para se saber. Todos os edifícios têm uma história. Há uma data de personagens interessantes e marcantes que passaram por lá.

Fotografias fofinhas estão em lista de espera, para eu as organizar decentemente no Flickr, mas para cúmulo ainda estou a acabar de fazer upload de uma data delas de Inglaterra, portanto o provável é terem de esperar um bom bocado por elas, como sempre. Pode ser que daqui a uns dias me passe o ócio.

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E uma coisa importantíssima, que eu já referi uns posts atrás, mas que agora vou oficializar: EU ESTOU A PROCURA DE EMPREGO, PORTANTO SE SOUBEREM DE ALGUMA COISA PROVEITOSA PARA COMEÇAR JÁ EM JULHO POR FAVOR DIGAM-ME!

É que a minha querida câmara Sony, marca da qual eu nunca mais comprarei porra nenhuma, resolveu cuspir o botão de disparo, o moço saltou fora, quis-se suicidar, e isto arruína a minha carreira fotográfica ainda nem sequer começada. O meu objectivo é portanto comprar uma nova, em condições.

A Canon lançou uma promoção brutal – não é publicidade, é para interessados que eu sou uma pessoa que gosta de partilhar conhecimentos – e na compra da 450D oferece um tripé, uma bolsa para a câmara e um cartão de memoria de 4GB. A menina custa 649€ na Worten já com uma lente, e 800 e tal com duas, não está cara para a câmara que é e ainda por cima tem aquelas ofertas todas. É uma oportunidade a aproveitar, mas eu preciso de juntar dinheiro para isso.

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De resto divirtam-se, acabem a porra dos exames rápido que eu quero companhia para ir para a praia e bom São João.

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Inté,

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Inês

Os homens são muito fáceis

2
Jun
2009

Anda tudo muito intrigado com o porquê desta afirmação, mas sinceramente não me apetece discorrer sobre o assunto, ou explica-lo. Não ia ser bonito, eu teria de soltar por completo todo o meu ser brejeiro e, pior ainda, todos os pensamentos que não me ficam nada bem ter, mas que ninguém os sabendo não faz mal. Enfim soltar o meu lado mais demoníaco não é muito aconselhável, depois de anos a construir uma imagem de menina bonitinha e difícil (dizem eles, não eu).

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Assim deixou-vos uma musica que descreve bem o meu estado de espírito. O interessante está na letra, claro, e quem não souber interpretar poesia devia aprender, por é isso que falta aos engates de hoje em dias, são formas bonitas e dissimuladas de dizer as coisas mais simples sem ser necessário fazer um desenho ou uma descrição tão elucidativa que uma pessoa fica com a sensação que já sabe o que é, então nem vale a pena experimentar.

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Mesa – E Não Vai Ser Bom

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Inté,

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Inês

Tédio

26
May
2009

Odeio que quanto menos faça, menos me apeteça fazer. Os meus dias não têm sido muito produtivos, sinto-me um vegetal parasita consumidora de quizes do facebook. Isto é terrível. Também preciso de uma aulas de Photoshop, que tenho andado às aranhas para pôr umas fotografias como quero. O Photoshop também é uma coisa terrível, como existe há que mexer em todas as fotografias antes de as publicar.

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Aqui tem estado sol e calor. Parece mentira, mas é verdade! E já há ingleses que falam comigo e que me convidam para festas e para sair à noite. Olha agora meus filhos, eu vou p’rá terrinha que lá são mais tenros.  Este tédio solta o meu lado mais brejeiro, não sei bem porquê…

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Para dizer a verdade, não me apetece dizer mais que isto, e só me vêm coisas parvas à cabeça. Em vez de estar para aqui a discorrer um chorrilho de asneiras, deixo-vos a minha mais recente paixão, que é o contrário da minha brejeirice de hoje.

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Inté,

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Inês

A exposição

18
May
2009

A correria matinal. Fiz mal as contas outra vez ontem, então quando acordei tomei um banho de 4 minutos, vesti-me em 5, não consegui desenriçar o cabelo, meti uma banana na mala, agarrei em tudo o que precisava (que estava pronto desde ontem a noite) e corri para a estação. Na estação desesperei, começou a chover torrencialmente, ao ponto de cair saraiva, e eu já não podia voltar atrás para ir buscar o guarda chuva. A minha viagem de comboio foi então passada na expectativa de que chovesse tudo até eu chegar a Portsmouth, mas depois ficasse sol.

Acho que a técnica de visualização ensinada pelo Walter resultou. De facto quando eu cheguei a Portsmouth as nuvens estavam a ir-se embora, e a viagem só tem meia hora. Fui ao Park Building imprimir as últimas coisas que precisava e toca a dar às pernas para o Eldon.

Quando cheguei à galeria já lá estavam montes de gente.  Meti os pindericalhos nas fotografias que faltavam, colei e cortei as últimas, colei a biografia e os cartões de visita na parede, dei um último arranjo ao tecido e finalmente colei as letrinhas, que avisavam as pessoas para mudar a fotografia exposta para aquela que gostassem mais, no chão.

Os ingleses revelaram-se bem fixes afinal, é só preciso conviver mais com eles num ambiente mais descontraído que as aulas e se formos nós a meter conversa eles até respondem bem. Fartei-me de falar com eles todos. Emprestar tesouras, ajudar a colar, ajudar a cortar, dar a vez na mesa, dar e ouvir opiniões… Ouvir queixas acerca da minha professora muito parecidas com as minhas, comentar entre nós que a vamos mandar passear nisto ou naquilo, enfim, todo um ambiente muito saudável entre colegas porreiros. Uma das meninas foi até incrivelmente querida quando eu estava a colar as letrinhas, e como já não tinha nada que fazer perguntou-me se me podia ajudar a acabar de colar.  Conversamos cobre cursos, o meu e o dela, acho que é o tema mais fácil quando falo com outras pessoas cá.

Outra pessoa com quem falei muito foi com o Moono, um rapaz chinês. Foi ele que ficou em Londres comigo para eu comprar os livros, naquela viagem maluca até lá com a turma de fotografia. Também foi ele que me ajudou a maior parte do tempo, além dos polacos Igor e Adam. Fomos almoçar juntos. Tivemos a inevitável conversar de como tudo é muito caro no Reino Unido, de como os comportamentos são super diferentes e se estaríamos a pensar visitar o país um do outro. Ele quer vir a Portugal no próximo verão.

A exposição começou e eu estava um bocado apreensiva. A ideia de pôr as pessoas a mudar a fotografia exposta só é gira se as pessoas realmente mudarem a fotografia. Mas as pessoas aderiram mesmo. De meia em meia hora, pelo menos, estava lá uma fotografia diferente, houve alturas em que sempre que eu olhava para lá estava uma fotografia diferente. Senti-me super satisfeita por ver que realmente resultou.

Um rapaz chinês, Darwin acho eu, veio lá ver a exposição também, foi super querido, até porque foi o único dos estudantes estrangeiros (porque uns são erasmus e outros são estudantes internacionais) que eu conheço que apareceu, mas os exames começam hoje, portanto muitos estavam a estudar ou a acabar trabalhos.

A exposição é boa. Há muitas fotografias espectaculares e sketchbooks que valem mesmo a pena ver. Acho que até teve bastante gente. Foram muitos conhecidos dos ingleses que lá andavam, e professores do Eldon também e alunos que estavam a sair de um exame ou assim. Quase todos os que pararam no meu cantinho mudaram a fotografia.

Eu trouxe um cartão de visita de quase todos, excepto os que não gostava, e tirei fotografias para finalmente mostrar qualquer coisa, basta clicar aqui.

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Saí, fiz o exame de italiano e fui para o comboio. Aí o cansaço era tal que me vi doida para não adormecer. Mas antes disso tive um grande momento de introspecção… Falta-me qualquer coisa. Falta-me uma palmada nas costas de alguém que eu conheça realmente, um implicar com o pormenor qualquer, o ouvir dizer “gosto muito” de alguém de quem eu aprecie realmente a opinião. Os amigos não me fazem falta só nas alturas más. A exposição estava cheia, mas não havia lá ninguém que eu pudesse puxar e a quem pudesse contar a história de cada fotografia, não havia ninguém com quem comentar cumplicemente os trabalhos dos outros, bem ou mal… E principalmente não havia ninguém comigo no comboio para casa. Não havia ninguém com quem continuar a discutir pormenores da exposição, opiniões, quais são as melhores ou piores fotografias, quem vai ter as melhores notas. Por muitas pessoas com quem eu tenha falado, por muitas pessoas que passem pelas minhas fotografias, aquele espaço vai ser sempre meu e sozinho, e quando a exposição acabar esse espaço deixa de existir. E nunca mais ninguém se vai lembrar da exposição mutante e cor de rosa da rapariga portuguesa.

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Agora sabia-me bem um abraço.

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Inté,

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Inês

Um dia de doidos

16
May
2009

Eu nem sei bem por onde começar ou quem insultar primeiro… Mas hoje eu estava amaldiçoada!

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Esta semana tem sido complicada. Complicada é muito vá, mas tem sido preenchida. Tive entrega do jogo na 5ª, do qual já estava farta, já não posso ver aquilo a frente, só de pensar fico com náuseas. Na 3ª começamos a montar a exposição de fotografia na galeria do Eldon Building. O meu espacinho está a ficar catita e muito cor de rosa, mas foi sem querer…

Até nas aulas se vê bem que esta foi a ultima semana, ou na falta delas. A partir de 2ª deixei de ter aulas de fotografia porque so íamos para galeria, quando nos apetecesse, ontem e hoje só tive aulas de inglês, porque o meu professor de C++ não gosta muito de dar aulas a mudos e porque com a entrega do jogo não fazia sentido eu ir mais às aulas de scripting, que iam ser dedicadas a animação.

Tudo isto parece muito folgado e com montes de tempo para o que nos apetecer… Não é bem assim. Aqui a cena de estar às 10 em algum lado já não é nada cedo. Alem disso eu para estar às 10 em Portsmouth tenho de me levantar às 8, o que é muito cedo, então levanto-me só as 9 e chego a Portsmouth às 11.

Foram este tipo de contas que eu fui fazendo durante a semana. Na segunda, como não tinha aulas, só fui para Portsmouth às 5.20, para o exame de italiano das 6 e aproveitei o dia para mexer no jogo. Na 3ª às 10 da manhã estava no Eldon Building para escolher o meu lugar da exposição. Alguns meninos foram mesmo gulosos e ficaram com espaços bem maiores que o meu, mas como eu tenho a exposição mais original de todas nem tem importância. Fui almoçar com a Ariane e com a Doris, fui despachada da aula de Scripting porque acham que sou um génio e que vou ter alto jogo com uma programação mega avançada (para alunos do primeiro ano cof cof) e voltei para casa para amaldiçoar o jogo, comprar uma conta nova no Flickr e engonhar bastante. Faz favor de carregarem lá no link e ir comentar as minhas fotografias bonitinhas. Na 4ª fui só as 2 para Portsmouth, comprei um tecido para tapar a caixa onde vão estar todas as minhas fotografias, colei-as em k-line, cortei e vim embora. À noite estive a dar os últimos retoques no jogo e no relatório, que felizmente era de 4 páginas. 5ª contas novamente mal feitas. De manha fiquei em casa, não me lembro a fazer bem o quê, conclusão cheguei a Portsmouth às 2. Vou entregar o jogo, a entrega é feita em mão a alguém do Office do departmento e ficamos com um comprovativo. Pode parecer muito bom, mas demora como tudo, estive uns 10 minutos na fila. A seguir corri para a Commercial Road para comprar parafusos torcidos para pendurar as fotografias, mandar imprimir a capa do meu Feedback Book e correr para aula de inglês. A aula de inglês acaba às 5, que é quando fecha tudo praticamente. Corri a buscar a fotografia que mandei imprimir e vim para casa. Made in Deca, ou seja, sem fazer nada até às tantas, e mais umas horas a amaldiçoar quem inventou os relógios porque eu queria ir dormir e tinha coisas para fazer e imprimir.

Pronto, despachei-me, arrumei tudo, incluindo o quarto da Kath, que estava todo bodegado por eu ter andado a fazer colagens e a cortar cartolina e com montes de folhas espalhadas pelo chão. Arrumei também as coisas para levar para Portsmouth no dia seguinte: o Sketchbook impresso – mais tarde ponho aqui a versão para Web para sacarem – numa caixinha para não se amassar, as letras que ainda precisava de cortar, a cartolina, cola e o estojo, a bibliografia na pen para ir imprimir ao Park Building porque afinal a impressora deles a cores é de boa qualidade e eu ainda tenho umas quantas impressões grátis, as fotografias para o Feedback Book… Acho que não me faltava nada. Cama.

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Sexta-feira, a derradeira. Ora com tudo arrumado e cronometrado, pareceu-me plausível acordar só às 9, chegar a Portsmouth às 11, ir à biblioteca da Universidade pedir para me encadernarem o Sketchbook e o Feedback Book, dar um saltinho na galeria e ir para a aula do meio-dia à uma.  A partir da uma dedicar-me-ia somente à exposição e provavelmente teria tudo pronto hoje. Bela utopia.
Bem,  acordei com dificuldade, banho, pequeno-almoço e essas tretas, pegar nas coisas que vou levar para Portsmouth e ver se não falta nada. Não faltava, só estava indecisa entre levar a mochila ou a saca de papel, e se levava o computador ou não. Saca de papel, porque já lá tinha as coisas dentro e o computador não ia ser preciso, portanto é menos esse peso, ficou em casa.

Sai de casa e estava a chover, mas aquela chuvinha molha tolos, nada de especial. Comboio, seca, tem de ser. Chegada a Portsmouth, passo muito acelerado para a biblioteca para não perder mais de 10 minutos a lá chegar. A chuvinha de repente ficou um pé de água. Há uma zona mais ou menos a meio do caminho entre a estação e a biblioteca em que o vento é tão forte que cheguei mesmo a fechar o guarda chuva, porque tive medo que ele partisse, mas voltei a abri-lo passados 30 segundos, que eu não ganho para pára-brisas oculares. Entretanto fiquei encharcada, assim como o querido saco de papel com folhinhas e fotografias e convites e o estojo e a cola e letrinhas cortadas e tal… Estava a dois minutos da biblioteca, só mais um bocadinho e já dava para mudar as coisas para a minha carteira e pumba! Saco rebenta, cai tudo ao chão, é o caos! A caixa do Sketchbook abre, as folhas saltam cá para fora, a embalagem das fotografias rasga e elas também se atiram para o chão, o estojo, a cola, os convites, tudo encharcadinho e eu feita parva a segurar um guarda-chuva cor de laranja com números, a olhar para os pés e a perguntar-me a mim mesma porque raio é que não tinha levado a mochila em vez da porra da saca!

Passa o choque, começo a apanhar as coisas freneticamente e a mete-las para dentro da carteira – benditas as carteiras grandes – e um rapaz muito simpático veio ajudar-me, senão o dilúvio tinha sido bem maior. Cartolina, guarda-chuva, caixa do Sketchbook, carteira, tudo nas mão meio empilhado, para chegar o mais depressa possível à biblioteca e verificar estragos. Ora os estragos avaliam-se por uma saca inutilizada, assim como todos os convites para a exposição, uma data de paginas do Sketchbook molhadas e algumas em estado tão débil que rasgavam só de tocar e finalmente umas fotografias coladas e outras manchadas pela água. A cartolina salvou-se.

Fui perguntar ao senhor onde se faziam encadernações, não era ali, era na Student Union – em frente à qual me tinha caído tudo. Pedi humildemente um saco de plástico e passo de corrida para lá. Tanto o Sketchbook como as fotografias estavam molhados demais para encadernar e algumas tinham mesmo de ser impressas de novo. Aí amaldiçoei a minha vida por não ter levado o computador – nunca mais vou sem ele para lado nenhum!

Passo de corrida até ao Eldon Building para deixar lá o peso a mais. Ainda estava tão atarantada que não fiz nada alem de falar com os meus colegas e depois tive de correr para a aula de inglês no Park Building. A aula foi gira vá, mas eu estava com pressa. Entretanto decidi voltar a Bosham – meia hora para lá – pegar no portátil, esperar pelo próximo comboio – esperar 40 minutos – e voltar para Portsmouth, imprimir as páginas estragadas de novo e ir finalmente encadernar.

Saí da aula ainda com tempo de sobra para apanhar o comboio portanto fui pôr o Feedback Book  encadernar e fui ao Eldon explicar ao meu professor o que se estava a passar e porque é provavelmente eu não iria aparecer lá hoje. É que eu saí de Portsmouth às 2 e só consegui voltar às 4. Como o Eldon fecha às 5, pareceu-me um bocado impossível imprimir, encadernar e chegar a tempo de fazer o que quer que fosse. Entretanto lá me atrasei com o prego e o berbequim para pendurar as minhas fotografias e mais uma vez, passo de corrida para a estação com uma mordidela na língua tal que mesmo que eu quisesse insultar alguém não podia, a língua ficou dormente.

O stress no comboio para casa, o gajo dos óculos escuros com metal aos berros, o telemóvel sem bateria para eu ouvir a minha musica e não tem de ouvir a dele distorcida, a minha estação que nunca mais chegava… Chegar a casa, ligar o computador, pôr o pfd na pen. Não cabe, é muito pequena. Pôr no disco – o disco está cheio, toca a eliminar coisas. Pronto, pdf no disco, desligar o computador, engolir um iogurte que afinal era de comer.

Desta vez não facilitei, peguei na mochila, meti as coisas que queria levar comigo lá dentro, meti o que ainda estava bom do Sketchbook num saco de plástico, fechei-o muito bem fechado com fita-cola e ainda o meti dentro da protecção do computador que é anti-chuva. Está claro que levei o computador. Mas ficou sol, por isso não levei guarda-chuva. Correr para a estação e agonizar no comboio.

Portsmouth finalmente, está a chover outra vez. Correr para o Park Building. Felizmente havia um computador vazio. Login, ligar o disco ao pc, abrir o pdf, imprimir… A impressão sai com um tamanho diferente das outras folhas.

“Ora pensa, já fizeste isto antes, saiu com o mesmo tamanho, mas estava em jpeg.”

O Adobe reader tem uma opção para converter em jpeg sim senhor. Não encontrei no computador da Universidade, peguei no meu, ligar, abrir, procurar – AAAAAAAAAAAAAAAIIIII! Encontrei finalmente. Outra seca, esperar que todas as paginas sejam convertidas para jpeg. A minha sorte, no meio deste azar, é que a maior parte das paginas estragadas eram das primeiras, então deu para passar essas para o disco e imprimi-las enquanto esperava desesperadamente que o programa convertesse todas as raios partissimas, já que as ultimas que eu tinha de imprimir eram precisamente as ultimas duas paginas.

Tudo impresso, saí do Park Building às 5 e corri para a loja de encadernações, a apanhar águinha pela cabeça abaixo. Felizmente ainda estava aberta e o senhor simpaticamente encadernou-me o Sketchbook agora revigorado. Pronto, já tinha o Sketchbook e o Feedback Book encadernados e bonitinhos, menos mal. Mas não fiz mais nada o dia todo e isso é mau. Pior ainda, tinha a cartolina e a cola e as letras impressas na galeria do Eldon Building, que fecha às 5. Corri para lá, eram 5.15. Procurei nos escritórios todos alguém que me abrisse a galeria. Uma senhora arranjou simpaticamente a chave, mas não podia abrir a galeria porque senão o alarme disparava. Esperei por um segurança, que nunca mais aparecia. Finalmente apareceu um senhor gordinho anafado e simpático que me abriu a galeria. Tirei a cartolina, as impressões e deixa a porcaria da cola lá dentro!

Já não havia nada a fazer, por isso fui para a estação, com o passo acelerado e a transpirar, mas sempre debaixo de chuva. Apanhei o comboio. O alivio, mais ou menos. Agora tenho de cortar letrinhas, cola-las em cartolina e cortar a cartolinas, sem ter cola em condições para isso. Estou estourada. Mas vá, o dia não acabou mal. Estou orgulhosa do meu Sketchbook, o meu Feedback Book está bonitinho, a minha exposição está por acabar de montar mas vai ser a mais original de todas… Amanhã ainda tenho de imprimir um auto-retrato. A partir de segunda-feira fico sem nada que fazer.

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Uf… Estou cansada só de contar isto.

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Inté,

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Inês